Empurrões Locais

James Connolly

27 de agosto de 1898


Publicação: Workers' Republic, 27 de agosto de 1898.

Reimpressão: Red Banner, Nº 13.

Transcrição: Aindrias Ó Cathasaigh.

Tradução e HTML: Guilherme Corona.

Creative Commons BY-SA 4.0


Chegue mais, chegue mais. Aqui está, aqui está, o maior show da terra. Uma inigualável e insuperável coleção de monstruosidades políticas, charlatões jornalísticos, 'patrióticos' donos de cortiços, parlamentares contorcionistas, et hoc genus omne.

As últimas palavras são em latim. Eu as coloco aqui de jeito promíscuo, só para demonstrar minhas capacidades, e impressionar o leitor.

Nada impressiona tanto o leitor quanto aquilo que ele não entende. É por isso que admiramos por tanto tempo os líderes do Autogoverno. Eles só precisavam abrir suas bocas e falar, e falar, e falar, e falar mais, e quanto mais eles falavam menos entendíamos, e consequentemente mais os admirávamos.

Nós só os rodeávamos com nossas bocas abertas como um bacalhau aguardando a maré -

E olhando e olhando, e a dúvida ainda crescia

Onde tais homens puderam aprender tudo o que eles sabiam.

Mas por fim nós cansamos de esperar e observar, e começamos a pensar, e o resultado do nosso pensar foi um pouco surpreendente para nós mesmos e será, em breve, um pouco desastroso para outros.

Eu fui informado por alguns queridos amigos que minhas críticas a certas estrelas da política irlandesa são muito extremas, que nós deveríamos ser mais moderados e não sair disparando contra tantas pessoas.

Eu aceito esta leve acusação. Nós somos um pouco extremos. Se examinarmos as posições daqueles que já estiveram sob o ataque do Workers' Republic, veremos que os escritores deste jornal estão realmente no ponto mais extremo possível contra a posição daqueles que criticamos.

Nós somos extremos. Como o homem que pregaria honestidade entre ladrões e sinceridade entre advogados, nós somos extremos quando insistimos na consistência entre políticos, e na honra entre jornalistas.

Nós somos extremos. Como o homem que, ao levar seu filho para iniciá-lo nos mistérios da Donnybrook Fair, lhe dá sua única regra de conduta, "Sempre que você ver uma cabeça, bata nela," nós conhecemos apenas uma máxima pela qual nossa ação pública deva ser guiada, "sempre que você ver uma mentira exponha ela, esmague ela, pisoteie ela até ela desaparecer, mesmo que ela venha sutilmente dos lábios ou incorporada nas ações daquele que fora nosso maior herói."

Nós não atacamos ninguém cujas ações não mereçam ser atacadas. A melhor prova disto está no fato de que ninguém ainda conseguiu contradizer uma única afirmação que fizemos.

Mas se junte à próxima caravana para ver nossa singular coleção de editores Autogovernistas, observe as trapalhadas desses animais animados e festivos, importadas a imenso custo do solo fértil de Flunkeydom.

Aqui está, cavalheiros. Observe as divertidas piruetas desses 'líderes da opinião pública' e diga se não devemos ter orgulho das suas habilidades.

Em 15 de agosto de 1898, foi organizado na Mansion House, em Dublin, um Banquete em comemoração dos patrióticos esforços de Wolfe Tone e dos Irlandeses Unidos. Brindes foram feitos e discursos nacionalistas proclamados de acordo com o espírito da comemoração. Entre os presentes estavam os editores do Independent, Freeman e Nation.

No sábado, 20 de agosto de 1898, foi feito outro Banquete em conexão com o Congresso da Saúde em Dublin. Os brindes feitos incluíram à saúde da Sua Mais Graciosa Majestade a Rainha, ao Exército, à Marinha e à Polícia. Entre os presentes estavam (patriotas inconciliáveis) os editores do Independent, Freeman e Nation.

Eles brindaram à saúde da Sua Mais Graciosa Majestade. E cada bebida custava tanto quanto alimentar algumas das famintas famílias irlandesas sob o governo da Sua Majestade. Eles brindaram ao Exército Britânico, nossos galantes defensores que logo cortariam nossas gargantas se seus mestres, a classe governante britânica, os ordenasse. Eles brindaram à Marinha - porque ela abastece os navios que permitem que os latifundiários irlandeses enviem seus grupos de despejo para as ilhas da nossa costa para exterminar seus habitantes. Eles brindaram à polícia, porque eles são irlandeses que se venderam para servir aos opressores, e então perpetuam o que Diarmaid McMurchadh começou.(1)

E eles são homens honrados, homens muito honrados.

Por muito tempo senti a necessidade de revisar nossa poesia nacional. As coleções atuais são muito boas à sua maneira, mas no todo são de certa forma inadequadas. Precisamos de algo mais atual.

E como uma contribuição para tal coleção nosso empregado acaba de entregar a produção anexada da musa. Ele me assegura que ele cometeu essa atrocidade em um momento de inspiração após ler a lista de pessoas presentes no já mencionado banquete.

HINO NACIONAL
Para uso dos Editores Autogovernistas

Aquele que teme falar de 98,

Aquele que cora com o nome,

Deus salve nossa Graciosa Rainha,

Longo seja seu reinado.

Ele é todo servo ou meio escravo

Ele diminui seu país,

Mas nós Autogovenistas podemos enganar homens

Que botam sua confiança em nós.

(Refrão)

Que ela seja vitoriosa, feliz e gloriosa

Que longo seja seu reinado sobre nós,

Deus salve a Rainha.

Upa, upa, viva.

Se nossos jornalistas podem engolir o licor tão facilmente quanto engolem seus princípios, eles devem ter bebido bastante.

O Lorde Prefeito de Dublin, cujas políticas peculiares nós já discutimos(2), ao longo do seus discurso neste banquete expressou a esperança "que a política de Dublin deveria atingir tal ponto que o Lorde Prefeito e o Lorde Capitão(3) poderiam ainda se tornar mais íntimos."

Ao quê o Express adiciona, a "sequência lógica de tal afirmação é um convite ao Lorde Capitão para um banquete na Mansion House." Essas pessoas são ótimas em banquetes.

Mas o Evening Herald (redmondista) então adiciona "O Daily Express é um pouco apressado... haverá tempo o suficiente para falar de reconciliação quando o Lorde Capitão - como Lordes Capitães deveriam fazer antes da Inglaterra nos roubar dos nossos direitos - abrir o Parlamento Irlandês."

Note a parte que eu italicizei. Se ela significa algo, significa que a Inglaterra não "nos roubou nossos direitos" até que a Lei da União passara. Restam sombras de O'Moore, O'Byrne, O'Connor, de Hugh O'Neil, Red Hugh O'Donnel, Owen Roe, O'Sullivan Beare, de McCracken, Neilson, Napper Tandy, Wolfe Tone, de todos aqueles que se levantaram em rebelião contra a Inglaterra, antes da Lei da União, isto é, antes que ela nos tenha roubado dos nossos direitos.

Lordes Capitães eram desconhecidos na Irlanda antes da invasão normanda. Eles sempre representaram o domínio estrangeiro, e a luta pelos 'direitos' irlandeses não começou em 1800, mas volta até 600 anos antes daquele evento.

Na verdade nunca houve algo como um Parlamento Irlandês. A coleção de exploradores que se reuniam em College Green não eram irlandeses em nenhum sentido da palavra. Seu Parlamento não era nada mais do que o conselho de uma horda de brigadas estrangeiras deliberando o melhor e mais seguro método de saquear os nativos.

Alguém por favor abra uma escola noturna para fornecer os jornalistas Autogovernistas algum conhecimento dos fatos elementares da história irlandesa.

O Evening Herald de segunda tinha uma lide muito simpática à Polícia Metropolitana de Dublin e seus sofrimentos. Ele espera que esses sofrimentos sejam remediados e que os homens sejam melhor tratados.

Que bonito. Em 22 de junho de 1897, esses mesmos policiais partiram as cabeças de uns 300 homens e mulheres de Dublin por ousar demonstrar sua antipatia às comemorações do jubileu.(4)

Agora, o Herald espera que esses pobres queridos policias sejam melhor tratados pelos seus superiores. É uma recompensa pelos feitos do jubileu?

Eu espero -

Que a PMD tenha-

Seus salários reduzidos a 16 s. por semana

Que suas horas sejam aumentadas para quinze horas por dia, sem feriados.

E que toda promoção seja parada ou seja dada somente para negros da costa da África.

Se o Herald tiver seu pedido atendido, a força policial terá a situação mais popular na Irlanda, e nosso Governo terá sempre um contingente disposto de jovens irlandeses a fazer seu trabalho sujo.

Se eu tiver meu desejo realizado, a força policial se tornará a forma mais impopular de emprego, e homens que seriam de outra forma recrutas inflarão o exército dos descontentes, e estarão prontos e dispostos a estender uma mão quando a hora de despejar o Império Britânico chegar.

Por favor dê uma cópia deste jornal para o primeiro policial que você ver como uma lembrança amorosa de um

Spailpín