Sua Alteza Imperial, o Czar de Todas as Rússias, publicou um manifesto a favor do desarmamento universal. Esta é a temporada da baboseira... Seu governo é baseado na espada, e só pode ser mantido pela espada, e qualquer seriedade que haja no seu último pronunciamento pode ser traduzida em um apelo para seus déspotas irmãos pela Europa para parar de guerrear entre si, para que suas mãos possam estar livres para esmagar a jovem liberdade em seus próprios domínios. Humanistas de fato! A Rússia retirará suas tropas de Warsaw e dependerá somente da lealdade e afeto dos polacos...? O Czar, repetimos está fazendo uma pequena piada. Ele fala hoje de paz universal, para que quando, no futuro próximo, ele lance seus exércitos através da fronteira para China, Índia ou Constantinopla, ou quando afogue em sangue as aspirações de liberdade da parte de seus próprios súditos, ele possa apontar esta ação sua como prova que a batalha não era do seu desejo. Dos Gabinetes de cada Governo europeu todos os outros conspiradores contra a liberdade da raça humana ecoam seu chamado, e até enquanto estão encomendando novos armamentos e equipando novas armadas, protestam a intensidade do seu desejo pela paz. Sempre foi assim... Mas o desarmamento universal não é um sonho. O dia virá, e talvez como um raio no céu azul, quando as fronteiras... não forem suficientes para prevenir o aperto de mão de amizade entre os povos. Mas esse dia virá somente quando reis e kaisers, rainhas e czars, financistas e capitalistas que agora oprimem a humanidade forem derrubados do seu lugar e poder, e os trabalhadores emancipados da terra, não mais instrumentos cegos da avareza de homens ricos, fundarem uma nova sociedade, uma nova civilização, cuja base será o trabalho, cujo princípio inspirador será a justiça, cujos limites somente a humanidade poderá conter.