A Questão da Terra Irlandesa

James Connolly

1898


Publicação: Workers' Republic,, 24 de setembro de 1898.

Transcrição: Einde O'Callaghan.

Tradução e HTML: Guilherme Corona.

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Por muitos anos vimos o Parlamento de Londres encaminhando Lei da Terra atrás de Lei da Terra, toda e cada uma proclamada como a encarnação de uma cura completa para a questão da terra na Irlanda. Hoje a questão da terra está mais longe de ser resolvida do que nunca; ao menos em aparência. A razão pode escapar aos olhos do editor augovernista ou unionista, que não ousa notar nenhum ponto de desenvolvimento industrial além dos que interessa aos seus empregadores apresentar ao público, mas é muito palpável para todos que buscam, com mentes imparciais, chegar à verdade.

Os sucessivos Projetos de Compra de Terras, Tribunais da Terra para ajuste de aluguéis, etc., são talvez poderosos o bastante para amaciar o rigor das relações entre latifundiário e posseiro; e se esta ilha fosse cercada de uma muralha de ferro que impedisse a troca com o resto do mundo, poderiam servir para resolver por um longo tempo as disputas agrárias na Irlanda. Mas enquanto o produto dos fazendeiros irlandeses deva ser vendido no mercado lado a lado com o produto de países em melhor situação, com equipamentos melhores e mais bem organizados para operaçãos agrícolas, o produto irlandês será batido: então as fazendas irlandesas falharão em se sustentar. Se os latifundiários desaparescessem amanhã, e seus títulos sobre a terra se extinguissem, os camponeses proprietários restantes ainda estariam envolvidos numa luta desesperada pela subsistência, enquanto a ilha permanecer dominada pelas condições capitalistas.

Cada aperfeiçoamento dos métodos ou máquinas agrícolas abaixa os preços; cada queda nos preços torna mais instável a posição do fazendeiro, seja posseiro ou proprietário; e todo ano - ou melhor todo mês - que passa vê esse aperfeiçoamento e desenvolvimento das máquinas avançando cada vez mais rápido. Não nos deixam escolha sem ser socialismo ou falência universal.

Enquanto é instrutivo notar que os agitadores da Liga dos Irlandeses Unidos do Sr. William O'Brien - não tem remédio a oferecer que não se bata em princípios socialistas. A expropriação compulsória das pastagens; a divisão das pastagens; a ajuda estatal para a agricultura; de fato, toda proposta advogada procede do pressuposto que a 'propriedade' não tem direito contra o bem-estar da comunidade, e que a vida e prosperidade do povo é, ou deve sr, o primeiro cuidado do estadista. Até agora nossa Liga dos Irlandeses Unidos vem tomando emprestados os argumentos dos socialistas para servir aos seus propósitos; mas eles, com características de egoísmo de classe, interrompem sua aplicação. Eles não levarão eles para além dos distritos rurais; e ainda desafiamos o Sr. William O'Brien a nos dar uma única razão suficiente para se recusar a aplicar à propriedade nas cidades os mesmos princípios firmes que ele advoga para o campo. A propriedade de todos os tipos deve se sujeitar à comunidade, e se o bem-estar da comunidade requer que direitos 'legais' de propriedade sejam subordinados, ou mesmo totalmente descartados, isso deve ser feito.