Nosso contemporâneo, o jornal Independent, recentemente introduziu no seu departamento de impressão novas máquinas, que, como foi ruidosamente informado o público irlandês, não têm igual na Irlanda, e talvez na Europa. Nós não desejamos, em qualquer medida, depreciar a empresa ou a administração do Independent, mas pensamos ser correto neste momento oferecer ao seu pessoal literário uma instrução grátis nos princípios elementais do desenvolvimento capitalista; a instrução grátis, quando plenamente assimilada, pensamos, diminuirá um pouco seu entusiasmo com essa conquista.
Ninguém nega o direito de um capitalista de introduzir em seu negócio qualquer novo método ou novas máquinas que melhor sirvam seus propósitos na competição com seus rivais. De fato na competição não é reconhecida nenhuma outra lei que não a sobrevivência do mais forte; ética ou religião são sempre deliberadamente colocadas de lado no dia de trabalho, e só são consideradas quando o sério negócio de fazer-lucros é interrompido pelo feriado dominical semanal. Mesmo então nenhum pregador ousaria aplicar considerações éticas a questões econômicas; ou tratar destas de qualquer outra maneira além de meras abstrações, tendo pouca, se alguma, importância nos problemas da civilização.
Os socialistas reconhecem os fatos enquanto os denunciam; nossos inimigos negam os fatos enquanto vivem suas vidas de acordo com eles. Esclarecendo isso ao leitor ficará evidente que nossa crítica não deve tomar a forma de um simples ataque a esta nova iniciativa se ela despedisse trabalhadores; mas será direcionada a outro ponto - um ponto provavelmente menos compreendido do que o já mencionado.
Qualquer um que entrar na competição deve se manter a par dos seus rivais; se o seu equipamento industrial ficar abaixo do padrão dos seus competidores ele cairá no redemoinho da competição; seu negócio será tirado dele pelo rival que melhor satisfazer os desejos do público. Se, então, uma firma introduz em seu negócio uma máquina capaz de trabalhar melhor do que seus rivais, cada um dos seus rivais deve também procurar uma máquina similar ou então ver seu negócio passar para as mãos de um competidor mais empreendedor. Eles não tem nenhuma alternativa. O público irá para a firma que mais lhe agrada e menos lhe cobra. Sob pressão desse conhecimento cada firma então ameaçada se apressa para encontrar máquinas que a colocarão em pé de igualdade com seu rival; quando isto é conquistado e cada firma fica similarmente equipada e igual em capacidade produtiva, eles descobrem que, como resultado de toda sua ansiedade e dispêndios, eles estão exatamente no mesmo ponto que estavam antes de qualquer máquina ser introduzida. Para usar uma parábola: - A competição é como uma multidão nas ruas tentando ver um espetáculo. Um homem pega um banco, e, em cima dele, vê melhor que seus companheiros; mas se todos os outros conseguirem bancos e subirem neles, eles teriam a mesma vista do que se estivessem todos no chão.
Com o tempo, entretanto, algumas das firmas de negócio que falamos - como é típico da sociedade em geral - ou algum novo competidor no negócio, introduz uma nova máquina ainda melhor do que a última; e se ele for um competidor rico, sua nova máquina cancela o valor de todas as velhas, e reduz elas a posição de mero estorvo. Se os donos devem salvar-se da ruína eles devem se equipar com máquinas tão boas quanto este novo produto do cérebro do inventor. Mais uma vez o gasto ciclo deve ser repetido, até que cada firma seja novamente equipada com a nova invenção, e, como resultado, se encontre precisamente no local de partida.
Cada nova máquina inventada torna inútil o valor competitivo de todas as velhas máquinas; compele todos os rivais do seu proprietário a se tornar proprietários de uma máquina semelhante; e é geralmente no seu turno substituída por uma melhoria criando novamente uma demanda semelhante para os proprietários da indústria.
O Independent introduz, com toques de cornetas, uma nova prensa. Os acionistas sorriem em expectativa do lucro há muito desejado. Mas mesmo que essa melhoria cumpra seu papel, a ver, tirar os anunciantes dos rivais do Independent (o Freeman's Journal ou Irish Times), os departamentos gerenciais desses jornais se apressarão a introduzir uma máquina similar; e então após o gasto de tanto dinheiro e energia, os jornais diários competidores de Dublin se encontrarão novamente em situação igual, e nem um pouco melhor do que se tais máquinas nunca tivessem cruzado o mar.
Essa é a lei de ferro do capitalismo exemplificada. Adiante, sempre adiante, somos empurrados pela pressão das forças econômicas; a ganância do capitalista, a competição do mercado, a revolta das almas humanas chocadas pelas atrocidades da civilização, todas trabalhando juntas em direção a um fim; e mesmo quando estão aparentemente no mais feroz antagonismo, contribuem igualmente para produzir um ódio das condições atuais e então criar o caminho para a República Socialista.