Parnellismo e Trabalho

James Connolly

1898


Publicação: Workers' Republic, 8 de outubro de 1898.

Transcrição: The James Connolly Society, 1997.

Tradução e HTML: Guilherme Corona.

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Enquanto eles buscarem o Autogoverno - meras mudanças dentro da Constituição - nossos partidos irlandeses em Westminster estão, e devem sempre estar, na posição de charlatões políticos, procurando um bom preço pelos votos que eles oferecem como mercadorias. Sua 'independência' é só o manto enganador com o qual eles buscam cobrir sua venalidade e falta de espírito.

Nós não devemos omitir para especificar uma outra causa da decadência do partido parnellista oficial, a ver, sua atitude insatisfatória em relação ao trabalho. Quando Charles Stewart Parnell foi baixamente desertado na Sala de Comitê 15 pela multidão de aventureiros e jornalistas de araque com a qual ele tinha construído um formidável partido político; quando ele foi atacado na Irlanda pelos fazendeiros posseiros que deviam muito da pouca segurança que tinham a sua habilidosa liderança; quando o clero, que ele tinha alçado ao poder nas filiais da Liga Nacional, entregaram o homem sob cuja firme orientação poderiam se tornar uma força pela liberdade; quando ele foi, na verdade, desertado pelos homens que tinham mais adulado sua personalidade, foi o simples e honesto trabalhador da Irlanda que ficou ao seu lado e lutou suas batalhas. Eles nunca tinham ganhado nada, mas sim perdido, com sua agitação, mas na crise suprema dos seus destinos eles se elevaram acima de todas as outras considerações e lutaram pelo homem, batalhando contra uma forma insultante de intervenção estrangeira. Eles não pediram nenhuma recompensa - e não ganharam nenhuma. Durante os primeiros dias da cisão o Sr. Parnell, de fato, adotou um programa apresentado a ele pelos trabalhadores de Dublin - um programa incorporando quase toda medida advogada como medidas paliativas pelos partidos socialistas, mas com sua morte inoportuna desaparesceu qualquer esperança de ver aquele programa ser adotado pelo partido do Autogoverno. A cada ano o partido parnellita se tornou cada vez mais conservador e reacionário. Hoje, em oposição direta à política do seu grande líder, vemos os chefes parnellitas buscando toda oportunidade para confraternizar com os representantes do latifúndio irlandês; proclamando suas posições mais patéticas sobre a questão financeira como as mais brilhantes centelhas de sabedoria; e não tendo escrúpulos ao dizer em Cambridge, em uma audiência composta pelos jovens herdeiros da aristocracia inglesa, que a realização da independência irlandesa não era nem possível nem desejável.

Eles com certeza seguem Parnell, mas seguem a uma distãncia tão respeitável que perderam de vista não só o líder mas também seus princípios.

Enquanto isso, os homens da Irlanda, não mais deslumbrados pelo brilho de uma grande personalidade, tiveram tempo para examinar sua posição, social e política. E como resultado recusam juntamente os homens que venderam seu líder na negociata de um político sem escrúpulos; a gangue incapaz cuja única esperança de sobrevivência é viver como canibais políticos sobre a reputação dos mortos; e o desprezível compromisso da Demanda Nacional que só o gênio de Parnell poderia fazer parecer razoável.

A classe trabalhadora da Irlanda não confia mais no charme do político de classe-média, por mais que ele a galanteie; forte na sua própria força ela marcha irresistivelmente em direção ao seu destino, a República Socialista.