Eu sou um grande admirador do Exército Britânico.
Provavelmente vocês notaram isso como um traço do meu caráter, já manifesto em meus escritos. Eu tenho muito carinho pelos charmosos cavalheiros vermelhos que passeiam em nossas ruas à noite, e enriquecem o vocabulário das nossas meninas serventes com suas expressões selecionadas.
Aquece meu coração ver as principais ruas das nossas cidades empilhadas com robustas jovens garotas irlandesas, recém-chegadas do campo, atiradas nos braços dos "soldados da Rainha". Aquece sim.
E então ver os "bravos soldadinhos" em um dia de revista, marchando alegremente com toda a pompa, orgulho e ar da guerra gloriosa até o Phoenix Park, para lá aprender a maneira mais rápida e científica de cortar as gargantas dos irmãos, pais e parentes das garotas irlandesas com as quais eles estavam se divertindo na noite anterior. Ah, é uma visão calorosa.
Sim, uma visão calorosa. Ferve meu sangue, e se a maioria dos nossos professores públicos não fossem os hipócritas duas caras que são, o sangue de todos os homens e mulheres irlandeses já estaria fervendo há muito tempo vendo que a garota irlandesa perdeu tanto sua dignidade para se imiscuir com os assassinos mercenários que ela seria ostracizada completamente, como uma leprosa.
Então o povo começaria a acreditar em nosso desejo de liberdade. Mas nossos líderes e jornalistas do Autogoverno castraram tanto nossos movimentos patrióticos que nas mentes de homens inteligentes o patriotismo se tornou mero sinônimo de farsa.
Vemos Sir Charles Beresford(1) - que abertamente declarou sua prontidão para liderar as forças do orangeísmo em revolta se o Autogoverno fosse concedido - elogiado como um irlandês patriótico pelo nosso Irish Independent, porque buscando recrutas, ele dirigiu alguns elogios aos irlandeses como bons marinheiros.
Vemos Sir Herbert Kitchener, que presidiu a chacina a sangue frio de 10.000 árabes (incluindo o assassinato sistemático dos feridos)(2), franticamente proclamado como um irlandês por toda a imprensa "patriótica" irlandesa, porque, vejam só, ele nasceu em Kerry, apesar de seu pai ser inglês.
Não que eu acredite que faça muita diferença onde um homem tenha nascido.
A única coisa certa sobre isso é que nenhum homem sensato pode ter orgulho de ter nascido um irlandês. O que fez para isso para que pudesse se orgulhar?
Ele não definiu de antemão o local em que desejava nascer, e então instruiu sua mãe de acordo. Se ele nasceu na Irlanda ou na Zululândia, em Combee ou em Whitechapel, ele com certeza não foi consultado sobre o assunto. Por que, então, este orgulho?
O local do seu nascimento foi um mero acidente - tão longe do seu controle como o fato de eu ter nascido tão belo estar longe do meu. Hum.
E você não me vê estufando o peito.
Deixe-me ver, por onde estávamos? Ah, sim, o exército. Meus comentários iniciais foram inspirados por ler nos jornais uma matéria sobre o enforcamento de sete homens envolvidos na morte de dois soldados britânicos em Candia, Creta.
Esses sete homens foram enforcados na diligência da lei, e a execução foi realizada por amadores selecionados entre quarenta e nove homens da Highland Light Infantry, que se voluntariaram para isso.
"Hangman's Light Infantry" seria uma melhor descrição.
Agora então, jovens irlandeses, se apressem e unam-se ao nobre Exército Britânico, e com o tempo - tendo estrita atenção ao dever e obediência aos seus superiores - vocês poderão conquistar a honra e dignidade de ser promovidos ao posto de - carrasco.
Eu espero que o War Office dê uma medalha em comemoração a esta gloriosa conquista.
Me pergunto se algum desses carrascos voluntários era irlandês. Se fosse e alguém pudesse gentilmente fornecer seus nomes eu agradecidamente os publicaria. Ou daria de presente para os jornais autogovernistas.
Os nomes de tais heróis não pode apodrecer no esquecimento. Eles devem ser gravados lado a lado do de Sirdar(3). Ambos produtos do cavalheirismo do exército britânico.
Rudyard Kipling estaria encarregado de um poema glorificando seu soldado herói, Tommy Atkins, na sua nova capacidade. Eu sugeriria que o poema se chamasse:
"Thomas Atkin, Cavalheiro, Soldado - e Carrasco."
É esperado que esse regimento seja enquartelado em Dublin no seu retorno. Certamente isso causaria uma queda no valor dos casacas vermelhas na rua Brigid.
As cacetadas de Ballinrobe(4) proporcionam reflexão. Em primeiro lugar é bom lembrar que na ocasião das cacetadas do jubileu em Dublin(5), quando, não uma dúzia como em Ballinrobe, mas mais de 300 pessoas foram tratados nos hospitais por ferimentos infligidos pela política, o Freeman's Journal disse na manhã seguinte que: "A Polícia Metropolitana de Dublin deve ser profusamente parabenizada pelo tato e temperamento que demonstraram na última noite."
O mesmo jornal não usa essa linguagem no acontecimento muito mais trivial no Oeste. Por quê? Foi por que a procissão anti-jubileu em Dublin foi organizada pelos socialistas republicanos, e o comício de Ballinrobe foi organizado pelos políticos?
Novamente, quando o Duque de York visitou Dublin, quatro comícios dos socialistas republicanos foram forçosamente reprimidos pela polícia, e nenhum jornal de Dublin denunciou esta infração ao direito à reunião.
Se os comícios em questão fossem convocados por algum dos Redmonds ou Dillons(6) ou pelos patriotas estridentes do tipo de William O'Brien(7) o mundo todo teria ouvido sobre, mas como foi somente os socialistas que foram atacados, os jornalistas do Autogoverno entraram em conspiração com o Castelo para representar Dublin como efusivamente acolhedora a com o Duque Real.
Uma coisa que eu gostaria que nossos amigos no Oeste notassem. O Weekly Freeman devota grande parte do seu espaço para atender à polícia, dando notícias policias e informações de como adentrar a polícia. Provavelmente entre os homens que abriram suas cabeças em Ballinrobe estavam alguns que deviam sua posição na polícia aos conselhos para aspirantes dados pelo Weekly Freeman.
Os jornais da quarta-feira contêm relatos de despejos em Tyrone e Tipperary. União de classes, veja. O Ideal do Autogoverno.
A única União que vejo nos negócios são os Sindicatos que pagamos cotas para sustentar(8), e que, a não ser que as coisas mudem, vejo aguardando no fim do caminho da vida por um
SPAILPÍN.