Aqui estamos nós de novo.(1)
E apesar da frase - amada pelas crianças que assistem boquiabertas as trapalhadas de um palhaço de circo - poder parecer um pouco sugestiva demais para alguns de nossos sensíveis leitores, nos arriscamos a pensar que ela tem nesta instância uma pertinência própria muito peculiar.
Aqui estamos nós de novo; a causa do divertimento daqueles cuja consciência nossas agradáveis sátiras não atingem, e a causa do contorcionismo mental da manada de bufões no palco da vida que veem nossas arremetidas arrancarem seus disfarces, ou expor seus truques ao rídiculo frente ao mundo.
Como é função do bobo fazer outros rirem das suas bobagem com a presunção da sua própria bobeira, também é a função do "Spailpín" de revelar as limitações dos políticos charlatães, assumindo o papel de um charlatão ele mesmo.
De charlatão? Sim! Nesta matéria de capa o "Spailpín" continua comprando e vendendo, e mesmo o iniciante nessa arte sabe que o primeiro requisito para alcançar uma boa barganha é depreciar o valor das mercadorias do rival, enquanto anuncia os méritos da sua.
Então, senhoras e senhores, campesinos e campesinas, Romanos, e amantes, me escutem bem.
Não temos muito tempo; então -
Abram alas para o Daily Nation. Este órgão de mente-aberta se declarou contrário aos filipinos.(2) Então podemos agora considerar sua causa como certamente sem esperança. Mas pior que tudo: esse jornal agora declara os insurgentes como "quase tão degradados como os malditos que formaram o governo provisório de Paris durante a Comuna de 1871."
Agora pense nisso. Aqueles malditos degradados da Comuna governaram Paris por três meses sem a ajuda de policiais ou detetives e ainda, de acordo com o testemunho de muitos estrangeiros que então residiam na cidade, Paris nunca foi tão livre de crime, a vida e a propriedade nunca estiveram tão seguras.
Eles mantiveram o Banco da França sob seu poder o tempo todo, e ainda deixaram seus tesouros intocados; ninguém, nem mesmo seu maior inimigo, já identificou um único caso no qual um membro do Governo provisório da Comuna de Paris tenha enriquecido como resultado da sua posição política.
Daqueles líderes políticos irlandeses do presente pode se dizer o mesmo? Certamente não dos chefes políticos do Daily Nation.
A Comuna, se tivesse obtido sucesso, teria inaugurado o reino da liberdade real pelo mundo - ela teria significado a emancipação da classe trabalhadora; então como ela falhou ela serve como um marco para toda a prostituição literária que se vende a serviço do jornalismo capitalista. Vida longa à Comuna! Se os filipinos são parecidos aos membros da Comuna que tenham vida longa e próspera.
Sim, cavalheiros, o que queremos é uma Universidade Católica.(3) Se tivéssemos ao menos uma Universidade Católica as pobres crianças maltrapilhas que estão jogadas no Abrigo de Meninos Católicos na Abbey Street, ou pedindo dinheiro para pagar sua admissão no abrigo, teriam todos os seus problemas resolvidos.
E a multidão de homens e mulheres abandonados que toda noite pedem admissão no abrigo noturno na Bow Street; os famintos marginais que aguardam nos portões da Mendicidade(4); os posseiros despejados esperando pacientemente pela restauração das suas casas; os trabalhadores de coração partido gastando suas vidas por um salário de fome; os desempregados rastejando entre capatazes insolentes a empregadores arrogantes; os moradores das favelas envenenados pelo ar pestilento dos cortiços da nossa cidade; o camponês mental e fisicalmente faminto na sua infértil terra montanhosa, todos, todos seriam iniciados nas delícias de uma existência feliz -
Se tivéssemos ao menos uma Universidade Católica.
Alguns de nós estariam satisfeitos com menos - a maioria desses que mencionei, penso, mas eles são apenas meros plebeus, povo da classe trabalhadora comum que nunca veria o interior de uma universidade, de qualquer forma.
Quando falamos de uma universidade para os católicos não queremos dizer todos os católicos, mas apenas uma pequena parcela do todo, a ver, aqueles que podem bancar mandar suas crianças para tais lugares - lojistas, advogados, usurários, impiedosos locatários, publicanos patriotas, donos de cortiços, e outras joias brilhantes na coroa do militante da Igreja.
"Educação gratuita até o mais alto grau universitário" e, como um suplemento para torná-la viável, "Manutenção gratuita para todas as crianças", ambas medidas no programa socialista republicano, podem fazer a questão universitária popular, mas de outra forma a agitação é simplesmente falsa, uma diversão clero-capitalista para nos distrair enquanto uma nova barganha é fechada às nossas custas.
Ao menos, assim pensa
Spailpín.