Nós estamos verdadeiramente felizes em ver os membros da indústria têxtil em Dublin se movimentando para por fim ao sistema de trabalho a domicílio ligado a essa indústria. Infelizmente na maioria das nossas mais importantes indústrias qualquer descontentamento existente é demasiado frequentemente atribuído a causas meramente imaginárias, e o dinheiro e energia dos trabalhadores são desperdiçados em um esforço estúpido de conquistar a cooperação dos empregadores numa tentativa de melhorar a condição do Trabalho.
Neste movimento da indústria têxtil, contudo, há sinais de reconhecimento por parte dos homens que, de onde quer que a assistência possa vir voluntariamente, do lado dos mestres não se pode esperar nada, - exceto se por pressão do Sindicato por um lado ou a ameaça de retirada das taxas alfandegárias do outro. Este fato ajuda a clarear o horizonte e será, sem dúvida, altamente benéfico aos homens na medida de que servirá para solidificar suas fileiras e compelir eles a compreender que é só pela força financeira e moral da sua organização que eles podem esperar conquistas, e não na dependência da boa-vontade dos empregadores.
Para o público geral colocaremos alguns dos principais fatores na disputa citada. A preocupação central, se não a única no presente, está no emprego dos que são conhecidos como "trabalhadores externos". Tais trabalhadores externos são homens e mulheres aos quais o empregador não fornece local de trabalho ou outras instalações, mas que executam em casa qualquer trabalho recebido. Esse sistema tem uma dupla desvatangem para os trabalhadores que só trabalham na fábrica ou como é tecnicamente chamado, "a bordo". Em primeiro lugar, torna impossível a supervisão das condições de trabalho sob as quais o trabalho é executado - e então abre caminho para toda forma de avanço no "registro", ou na lista de preços, e provê a classe empregadora com uma reserva de trabalho desorganizado competindo continuamente com os trabalhadores organizados, e continuamente oferecendo vantagens para o empregador nas suas lutas com seus trabalhadores. Em segundo lugar, enquanto um trabalhador sindicalizado comum só pode trabalhar para um empregador ao mesmo tempo, e deve assumir todo o risco das flutuações do negócio do empregador, os trabalhadores externos servem duas ou três firmas ao mesmo tempo e então garante seu trabalho, se não por uma, pela outra. O resultado sendo que o trabalhador sindicalizado, tendo que lidar com a insegurança de emprego, deve necessariamente buscar um nível de salário que contrabalanceie tal insegurança, mas os trabalhadores externos, tendo mais facilidades para buscar trabalho, podem, e fazem, aceitar salários mais baixos. E some isso ao fato que mesmo que ambas as seções de trabalhadores ganhem os mesmos salários EM DINHEIRO ainda, por conta das suas circunstâncias peculiares, os trabalhadores externos seriam menos custosos para o empregador porque proveriam sua própria oficina, fogo, etc. Sob tais condições não é surpresa que os membros regularmente organizados da indústria têxtil vejam a existência do sistema de trabalho externo, dos suadouros, como um perigo para seus interesses. De fato seria chocante se fosse de outra forma, porque os fatos aqui colocados só dão uma pequena noção dos males contidos no sistema de trabalho externo. Por exemplo o fato de que tal trabalho sendo executado no pequeno espaço de uma "cada" da classe trabalhadora é fatal para a saúde daqueles empregados assim, e gera febres e outras doenças contagiosas que, por meio das roupas, são espalhadas por toda a comunidade. Então, como todo outro trabalho "doméstico", invariavelmente leva ao trabalho feminino e infantil - todos os membros da família sendo pressionados a trabalhar. Então uma coleção de males da natureza mais grave são gerados por este sistema de trabalho externo contra o qual nossos amigos da indústria têxtil se colocam agora.
Mas qual é a solução? Podemos, se pensássemos assim, placidamente - e bem corretamente - apontar aos nossos amigos da indústria têxtil que a única solução é o Socialismo, nada menos do que a propriedade pública e o controle democrático dos meios de vida resolverá os seus problemas industriais; que o trabalho externo é só um filho natural do Capitalismo, e que para se livrar de um você deve abolir o outro. Mas esta não é nossa atitude, nem é uma atitude do socialismo científico onde quer que ele se encontre. O socialismo é de ato o único remédio permanente, mas os socialistas buscam uma mitigação dos males presentes mesmo enquanto pressiona pela abolição da fonte da qual eles nascem. De fato, os socialistas são os mais imperativos de todos na agitação por reformas imediatas porque sabemos que nenhuma medida de socorro a causa do Trabalho é hoje possível, que não leve em si o germe de princípios socialistas - não seja em maior ou menor medida a aplicação da ideia socialista à vida industrial. Então o único remédio radical e efetivo para os males do trabalho externo, seja a supressão completa do trabalho externo, é talvez uma tarefa hercúlea demais para um único sindicato cumprir, mas está ao alcance do que os trabalhadores podem conquistar pela ação política como uma classe. E como a regulação da atividade industrial pelos próprios trabalhadores, no lugar de uma classe dominante, é a própria essência da concepção socialista, mesmo uma aplicação parcial do princípio mostraria pelo espetáculo dos representates da classe trabalhadora na Câmara dos Comuns, forçando ela aos seus empregadores, está de acordo com as linhas do progresso que desejamos seguir. Nós aconselhamos nossos amigos a estudar bem esse fato, e então se perguntar porque é que nossos representantes do autogoverno, tão prontos para servir aos interesses de classe dos fazendeiros posseiros, estão totalmente indiferentes aos interesses de classe dos trabalhadores urbanos.
Enquanto isso em todo esforço que seu sindicato possa tomar para abolir os males do trabalho externo, o sindicato dos têxteis pode contar com nossa cooperação sincera.